O paradoxo da vida

Considerações (bio)metafísico-patrimoniais (e melancólicas) acerca de conservação preventiva

  • Kelly Castelo Branco da Silva Melo
Palavras-chave: Patrimônio. Conservação. Memória. Finitude.

Resumo

O presente ensaio reflete sobre a questão da perda e da finitude como eixo central ao redor do qual as dinâmicas e discursos patrimoniais se estruturam. Propõe, para o campo da conservação preventiva – mais amplamente, o da preservação –, um tipo de perspectiva melancólica, ou seja, compreender a condição finita dos acervos e seus componentes como potência ao invés de um obstáculo a superar. Trabalha com os conceitos de patrimônio, objeto e melancolia a partir do terreno intersecional e ambíguo da coleção. Trata desses fluxos como reverberação de questões existenciais humanas e estabelece relações entre essas instâncias de atuação e a essência paradoxal da vida.   

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Publicado
26-11-2020
Como Citar
MELO, K. O paradoxo da vida. REVISTA ELETRÔNICA DA ABDF, v. 4, n. Especial, p. 462-475, 26 nov. 2020.