Quarta, 15 Junho 2016 00:17

O livreiro: 51 habilidades essenciais para profissionais da informação - parte 3

Escrito por 
Avalie este item
(0 votos)

51 habilidades essenciais para profissionais da informação - Parte 3


icons 640402 1920

Nas edições anteriores da coluna O Livreiro (que você pode ler aqui e aqui), apresentamos 30 das 51 habilidades elencadas por Deborah Hunt e David Grossman no livro "The librarians skillbook: 51 essencial careeer skills for information professional". Neste número, encerramos a lista, com habilidades de comunicação, relacionamento interpessoal, e atitudes perante a carreira que podem expandir o seu potencial profissional.

Finalizada a lista, o que vocês acharam? Já são bibliotecários do século XXI?   

 

31. Escrita com eficácia

Pode parecer uma dica óbvia, mas escrever de forma eficaz é extremamente importante em qualquer ambiente de trabalho. Seja para escrever relatórios, elaborar projetos, redigir propostas de compras, elaborar materiais de divulgação, enviar mensagens e e-mails para os públicos interno e externo, e prover conteúdo para o website e perfis da instituição nas redes sociais, o bibliotecário deve saber redigir de forma clara, sucinta e precisa. Quando os usuários ou as chefias percebem erros de gramática e/ou digitação, ou formulação de frases confusas, a competência e a credibilidade do profissional ficam manchadas.

32. Redação de propostas para captação de recursos e doações

É um desdobramento específico da habilidade anterior. Saber elaborar uma proposta para a captação de recursos é especialmente importante quando o orçamento da organização na qual trabalha o bibliotecário depende desse tipo de recurso financeiro. Se você consegue trazer dinheiro, passa a ser inestimável para a organização.

33. Planejamento de eventos e reuniões

Os coordenadores de evento são responsáveis por organizar encontros, recepções, seminários, palestras, showrooms, etc. Devem identificar o local ideal para o evento, contratar o serviço de bufê, cuidar do transporte, de eventuais atrações culturais e de todos os detalhes logísticos. Essa atividade pode ser divertida, mas também estressante, e demanda um conjunto de outras habilidades, como comunicação, gestão de pessoas e capacidade de improviso – para o caso dos imprevistos de última hora que sempre aparecem.

34. Negociação de contratos

Trata-se de uma habilidade tripla: escrever, entender e negociar contratos. As duas primeiras demandam conhecimento dos termos jurídicos típicos dos contratos, enquanto a negociação é a arte de conseguir obter os bens ou serviços oferecidos por um valor interessante. Em uma biblioteca ou centro de informação, são diversos os fornecedores com os quais essa habilidade terá de ser posta em prática.

35. Tomada de decisões

Uma quantidade considerável de administradores sofre do pânico de tomar decisões erradas, o que pode custar à organização um enorme tempo e dinheiro. Nem toda decisão será acertada, mas não se pode evitar toma-las. É importante pesquisar sobre um assunto e pedir opiniões abalizadas – eventualmente até de consultores especializados - antes de tomar uma decisão, mas um bom gerente sabe a hora de parar de receber subsídios e tomar as decisões necessárias. 

36. Contar histórias

Não se trata de saber ser um bom contador de histórias para crianças. Essa habilidade diz respeito a ser capaz de fazer de sua apresentação, relatório, artigo ou conversa informal algo cativante e memorável. Todo bom profissional da informação deve ser capaz de atrair o interlocutor, e prender sua atenção. Uma boa fórmula é criar um repertório de histórias interessantes – criadas ou não – que sejam relacionadas com o trabalho das bibliotecas e/ou centros de informação. Mas não basta saber as histórias: há que se saber como contá-las!

37. Ensinar e dar instruções

É uma habilidade voltada para passar informações a um determinado público, de forma a aumentar seu conhecimento sobre um assunto ou processo, com o objetivo de melhorar seu desempenho. Além de ajudar outras pessoas, esta habilidade traz recompensas por si só: um velho ditado diz: "ao ensinar os outros, ensinamos a nós mesmos". Pesquisar um assunto e criar formas de ensiná-lo fortalece o próprio conhecimento de quem ensina.

38. Valorização do trabalho

Seu conhecimento é valioso, e não deve ser compartilhado de forma totalmente desinteressada. Isso não significa ser mercenário ou pouco profissional: a ideia é procurar receber o reconhecimento pelo trabalho, seja na forma de mais fundos para sua unidade, um aumento de salário, ou mesmo de agradecimentos por parte dos clientes e testemunhos em redes sociais voltadas para a vida profissional, como o LinkedIn.

39. Trabalho em equipe

Trabalhar em equipe, e ser ativamente um membro da equipe, significa colocar de lado eventuais rivalidades e diferenças com companheiros de trabalho, assim como ambições pessoais, em prol do sucesso da organização e do grupo como um todo. Em uma sociedade competitiva com a atual, às vezes é difícil manter essa atitude, especialmente quando há colegas muito individualistas. No longo prazo, entretanto, profissionais que sabem trabalhar em equipe tendem a ser recompensados, tanto pelo sucesso coletivo, quanto por sua atitude pessoal.

40. Implementação de mudanças

É próprio da natureza humana resistir às mudanças, mas elas são inevitáveis: novas tecnologias, novas preferências dos usuários, novos contextos políticos e econômicos surgem, independente da nossa vontade. Cabe ao profissional da informação ser um dos líderes nesse processo de mudança, tanto para facilitar a adaptação do usuário quanto para exercer uma maior influência nos novos rumos.

41. Rede de contatos

Conhecer pessoas pode abrir diversas portas. Todo profissional deve buscar comparecer a congressos e conferências, trocar cartões profissionais, manter atualizado e funcional seu perfil no LinkedIn e em redes sociais com perfil semelhante e participar ativamente de associações profissionais. Mas não basta acumular dados de contato: é preciso interagir com essas pessoas. Desses contatos, podem nascer projetos comuns, propostas de emprego e mesmo a facilitação de processos do dia a dia. Conhecer a pessoa certa no lugar certo nunca será ruim.

42. Saber ouvir de forma ativa

Ouvir, de forma atenta, é tão importante quanto saber se comunicar (ver a habilidade 28). No ritmo de vida atual, muitos estímulos tendem a chamar a atenção, o que tem prejudicado a capacidade de focar a atenção em um interlocutor que dos dirige uma mensagem. Ouvir ativamente significa se concentrar inteiramente no que está sendo dito. Caso contrário, provavelmente parte do entendimento e da internalização do conteúdo exposto será perdido. Isso vale para palestras, conversas cotidianas e, especialmente, para a interação com o usuário.

43. Empatia: o mundo pelos olhos dos outros

Empatia é a habilidade de perceber as emoções de outras pessoas, somada com a de imaginar o que elas estão pensando. Não significa ter pena de alguém. Demanda também uma autoconsciência muito grande, para que percebamos, por exemplo, como nossa linguagem corporal ou o tom da nossa voz está afetando os interlocutores. Pessoas conhecidas por sua empatia são capazes de ter insights sobre o que os outros precisam e, tendem, além  e por conta disso, a conquistar a confiança das outras.

44. Entrevistas

O momento de uma entrevista de emprego serve tanto para o entrevistador julgar se o entrevistado está apto para o cargo, quanto para este entender melhor sobre a empresa e o perfil de trabalho procurado. A boa preparação para uma entrevista envolve várias etapas, como: pesquisar com antecedência a empresa ou organização na qual se quer trabalhar; preparar antecipadamente boas respostas para perguntas típicas de entrevistas (ex: "por que você quer trabalhar nesta empresa?"); formular duas ou três boas perguntas sobre a empresa e as atividades a serem desenvolvidas (o que demonstra interesse); escolher adequadamente a roupa para o dia da entrevista; lembrar-se de levar cópia do seu currículo e uma caneta, caso venha a precisar; chegar com um pouco de antecedência ao local; e muito mais. Um detalhe pode fazer a diferença na hora da contratação.

45. Saber vender suas ideias

"Vender as ideias" é a arte de fazer com que as pessoas que você quer influenciar apoiem suas recomendações, projetos e/ou conselhos. Essas pessoas podem ser chefes, gerentes, colegas de trabalho, subordinados, fornecedores, etc. A melhor forma de isso acontecer é investir em sua credibilidade: especializar-se na(s) área(s) em que se deseja tornar-se referência, estar sempre pronto para responder sobre o tema (sem que isso o torne arrogante) e saber separar o que é moda ou tendência passageira do que é realmente relevante do ponto de vista estratégico. Esse conhecimento especializado não deve ficar guardado. Ao compartilhá-lo, a percepção geral sobre suas ideias e sobre sua competência é reforçada.

46. Ter uma atitude positiva

Essa habilidade intangível pode ser treinada e exercitada, mesmo que o temperamento da pessoa não seja naturalmente otimista. Muitos profissionais da informação tornam-se especialistas em reclamar das condições de trabalho ou das posições que ocupam. Esse tipo de atitude, além de não resolver os problemas imediatos, prejudica o próprio crescimento pessoal e profissional desses indivíduos. Ter uma atitude positiva, mesmo diante das adversidades, torna o cotidiano do ambiente profissional mais agradável, além de angariar simpatia de usuários e das chefias.

47. Proatividade

Na habilidade 17 desta lista (resolução de problemas voltada para resultados) já havíamos comentado que não basta esperar a demanda do usuário e fornecer uma resposta básica. É preciso ser proativo, levantar-se da cadeira e do escritório, e entender o ciclo da informação na vida "real". Para isso, deve-se, quando possível, visitar o ambiente de trabalho/estudo/pesquisa dos usuários, marcar reuniões com eles para entender suas necessidades de informação, e promover os serviços da biblioteca tanto nas mídias sociais quanto em eventos. Há que se antecipar, dentro do possível, as demandas informacionais dos usuários, e não será de trás dos balcões da biblioteca que isso acontecerá.

48. Sair da zona de conforto

Para tornar-se mais proativo, habilidade discutida no item anterior, é preciso desafiar-se constantemente a sair da própria zona de conforto. Não será possível explorar novas ideias e atitudes se o limite do que é cômodo for sempre respeitado. Mesmo que pareça difícil, é preciso estabelecer metas, mesmo que pequenas, para vencer a inércia e alçar novos voos – inclusive adquirir as 51 habilidades desta lista – mesmo que paulatinamente.

49. Estimular o público a buscar a biblioteca, em vez do Google ou da Wikipedia

Com a existência de mecanismos de busca como o Google ou fontes de informação como a Wikipedia, muitos usuários passam a acreditar que o profissional da informação torna-se desnecessário. A esse processo dá-se o nome de "desintermediação". Da parte do bibliotecário, é preciso agregar valor (habilidade 19) na pesquisa e análise dos dados (habilidade 20). Ao ter domínio de ferramentas especializadas, pode-se ir ao cerne da necessidade de informação do usuário. É preciso provar a ele que as buscas simples podem, de fato, ser feitas sem apoio, mas que nas questões mais especializadas, é imprescindível o trabalho do profissional da informação.

50. Conquistar a confiança de gestores e de clientes

A confiança pode ser resumida como a certeza da integridade, da força e/ou da habilidade do indivíduo. Toda relação humana que vale a pena é baseada na confiança. Conquistar a confiança de alguém é uma habilidade emocional. Para reforça-la, preciso, entre outras atitudes, discutir e solucionar os problemas por meio de uma comunicação honesta e direta; dividir os créditos dos sucessos; ser sincero quando em dúvida sobre um procedimento ou informação; cumprir o que prometer; e admitir-se errado quando for o caso.

51. Saber quantificar, demonstrar e projetar seu valor na sua organização

Esta é uma das habilidades mais importantes a serem desenvolvidas/cultivadas, uma vez que não adianta possuir todas as outras e não saber mostrar aos superiores hierárquicos e aos clientes a importância do seu trabalho. É preciso saber de cor os objetivos da sua organização e alinhar a eles os objetivos do centro de informação. Além disso, há que se manter a atitude proativa de se reunir com os gestores da organização e prospectar suas necessidades de informação, para saná-las antes que eles busquem outros meios para isso. Por fim, há que se saber quantificar as conquistas e comunicá-las às chefias, e jamais presumir que elas sabem o real valor de um bom serviço de informação.

Ler 48171 vezes Última modificação em Quarta, 15 Junho 2016 00:28
 Daniel Guilarducci

Sobre o autor: Daniel Guillarducci é bibliotecário por formação, diplomata por profissão e escritor por vocação. Atualmente é Assessor da Divisão de Operações de Difusão Cultural do Itamaraty.