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51 HABILIDADES ESSENCIAIS PARA PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO - PARTE 2

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Na edição anterior da Revista da ABDF, começamos a apresentar as 51 habilidades elencadas por Deborah Hunt e David Grossman no livro "The librarians skillbook: 51 essencial careeer skills for information professional". Neste número, apresentamos mais 20, chegando ao número de 30 habilidades, que incluem aspectos computacionais, técnicas de gestão e posturas pessoais. Confira a seguir:

11. Gestão de recursos digitais

 Consiste em tarefas e decisões relativas à incorporação, notação, catalogação, armazenamento, recuperação e distribuição de recursos digitais. Não se trata apenas de ter domínio de software ou de tecnologias, mas dos processos e recursos (inclusive humanos) envolvidos, fluxos de trabalho, decisões sobre segurança da informação, estabelecimento de coleções digitais, etc.

12. Desenvolvimento de guias e instrumentos de pesquisa (finding aids and pathfinders) de coleções

Trata-se da elaboração de guias impressos ou eletrônicos que sejam capazes de descrever as fontes disponíveis sobre determinado assunto em determinada coleção. À medida que mais coleções são digitalizadas, torna-se necessário desenvolver ferramentas de apoio à pesquisa que descrevam o conteúdo e o escopo da coleção, e, eventualmente, informações biográficas, históricas ou de restrição de uso sobre os materiais. A maior parte desses instrumentos de descrição documental usa a norma Encoded Archival Description – a descrição arquivística codificada, que se trata de uma norma para a codificação de instrumentos de descrição documental arquivísticos utilizando a linguagem XML mantida pela Library of Congress e pela Society of American Archivists.

13. Webdesign

A capacidade de planejar, criar e atualizar páginas e portais na internet é um diferencial para o bibliotecário moderno. Inclui conhecimentos de arquitetura de informação, design de interfaces, estruturas e lógicas de navegação, além da correta escolha de cores, fontes, e imagens.

14. Redes sociais

O conceito de rede social não é novo e remete ao boca-a-boca entre amigos e colegas de trabalho. Com as novas tecnologias de informação, entretanto, o alcance e velocidade dessas redes foram hiperbolicamente potencializados. Dominar a linguagem das redes sociais e os recursos por elas oferecidos possibilita o compartilhamento ágil de textos, fotos, vídeos, seja para audiências selecionadas ou para um público mais amplo, dependendo das configurações escolhidas – e isso tudo sem custos adicionais para a biblioteca.

15. Catalogação do século XXI

Com a proliferação de iniciativas de catalogação cooperativa somadas às novas tecnologias, a catalogação clássica tornou-se alvo de previsões que apregoam o seu fim. Embora isso possa ser parcialmente verdade, a mesma tecnologia que tornou a catalogação de um livro muito mais fácil também estimulou o crescimento de uma necessidade crescente de catalogação de novos materiais. A criação de metadados sobre fontes e recursos digitais, bases de dados e outras publicações na internet gerou uma nova classe de itens, alguns deles ímpares. A velha técnica e arte de catalogar, dada como perdida, passa a ser uma vantagem para os profissionais que se mantêm atualizados.

16. Conhecimento e vantagens estratégicas

O conhecimento estratégico envolve captar e compreender informações sobre usuários, histórico de circulação, recursos mais utilizados, e estabelecer padrões que informem valores perceptíveis. Estes valores servirão de matéria-prima essencial na tomada de decisões. As vantagens estratégicas sustentáveis dizem respeito à manutenção de uma imagem positiva para a biblioteca no longo prazo, além de reforçar o seu valor e contribuição para as organizações e usuários.

17. Resolução de problemas voltada para resultados

Significa apoiar o usuário na solução de seus problemas de informação. Cada vez mais os usuários conseguem por si próprios localizar dados e informações menos complexas em buscas diretas na internet. Cabe aos bibliotecários lidar com as questões mais complexas, mas já não basta fornecer a informação desejada e virar as costas. É preciso compreender o contexto no qual a informação está sendo demandada pelo usuário, e ajudá-lo vislumbrando, para além da resposta em si, o uso estratégico da informação recuperada.

18. Agregar valor

Essa postura – mais do que uma mera habilidade – perpassa várias atividades do profissional da informação. Agregar valor a um serviço ou produto é o que diferenciará o profissional no mercado. Superar as expectativas do usuário ajuda a melhorar sua percepção e o apoio ao serviço de informação. Desta forma, o cliente e a própria organização para a qual é prestado o serviço passará a considerar a biblioteca como um ativo importante, não dispensável.

19. Pesquisa e análise

A pesquisa é um serviço que os bibliotecários, em especial os de referência, estão acostumados a fornecer aos usuários. A análise vai além, e oferece insights e recomendações sobre o uso das fontes disponíveis e das informações recuperadas. Isso pode demandar desde um pequeno sumário executivo sobre a pesquisa até gráficos e tabelas com dados estatísticos sobre o assunto pesquisado.

20. Inteligência competitiva

É o processo de monitorar o mercado com o objetivo de identificar competidores atuais e potenciais, suas atuais iniciativas, produtos lançados, serviços ofertados, falhas e sucessos. Sem que o objetivo seja copiar o concorrente, essa atenção especial pode trazer boas ideias para a organização, e, sobretudo, identificar tendências de mercado. Esse tipo de análise pode tanto interessar o usuário da biblioteca em sua pesquisa, além de servir de inspiração para boas práticas.

21. Pensamento criativo/inovador (outside the box)

Trata-se de pensar sempre em maneiras diferentes sobre os desafios que se apresentam. Fazer-se regularmente a pergunta "há algo que possa ser feito de maneira diferente do que é feito hoje em dia?". A ideia não é simplesmente ser diferente, e sim dar chance para que processos sejam aperfeiçoados. Embora seja um conceito de fácil compreensão, é dos mais difíceis de colocar em prática de forma constante e consistente.

22. Ver e compreender o contexto geral

Essa habilidade intangível – que costuma exigir prática, experiência e constante atenção – envolve um foco na organização (e, por que não, no mundo como um todo), em vez de preocupar-se apenas com sua área ou sua rotina imediata. Um bibliotecário com uma visão de contexto tomará decisões que colaborem para o bem da organização, e manterá uma perspectiva de futuro em vez de pensar apenas em soluções imediatas e objetivos de curto prazo. O tempo e a energia não devem ser desperdiçados em detalhes, e sim em áreas que causarão maior impacto positivo.

23. Marketing e vendas

Muitos bibliotecários subestimam o aprendizado de técnicas de negócio porque em geral não trabalham em um ambiente estritamente comercial. O produto ou serviço fornecido pelo bibliotecário, afinal, também tem de atrair e seduzir o cliente, mesmo que não haja uma relação direta de troca monetária. Talvez falte aos bibliotecários entenderem que eles são consultores treinados, e, como tal, devem mostrar ao usuário a importância e validade de seu trabalho.

24. Gestão de pessoas

Configura habilidade especialmente importante para os bibliotecários que querem ocupar posições de supervisão, gerência, diretoria, etc. Mesmo para aqueles que não têm essa ambição, dificilmente o bibliotecário trabalhará em um ambiente de total solidão. Aprender a delegar responsabilidades, motivar colegas de trabalho e coordenar trabalhos em equipe será necessário em algum ponto da carreira, e, assim sendo, é preciso desenvolver tal competência.

25. Recrutamento e gestão de voluntários

É uma variante específica da gestão de pessoas. Em uma situação de recursos escassos, ou mesmo inexistentes, para investir em contratação de pessoal, o moderno bibliotecário deve desenvolver táticas para encontrar, recrutar e motivar voluntários junto à comunidade. A prática não tem apenas um viés econômico: serve também para aproximar a comunidade da biblioteca, fazendo com que o usuário passe a ser mais participativo no universo da biblioteca. Por fim, uma boa gestão de voluntários pode contar pontos para a imagem do bibliotecário como gestor de pessoas e dar a ele experiência nesse tipo de interação.

26. Planejamento estratégico e desenvolvimento de políticas

É o processo de definir e tomar decisões voltadas para alocar os recursos da biblioteca na busca de seus objetivos e metas. Para isso, é fundamental compreender a posição atual da unidade de informação, os diversos passos que podem ser tomados e qual(is) deles é o mais adequado. Demanda um pensamento de médio e longo prazo e o estabelecimento de políticas que garantam a excelência dos serviços da biblioteca junto a seus usuários.

27. Gestão financeira e orçamentária

Quanto mais próximo das funções de direção/gerência de uma biblioteca, mais o bibliotecário deverá ser capaz de planejar e gerir o uso de recursos orçamentários. Sua capacidade de estimar com precisão os custos envolvidos em sua unidade de trabalho (bem como prever lucros, quando for o caso) passará a ser um elemento crítico para o bom funcionamento da biblioteca. Além de preparar um orçamento factível e responsável do ponto de vista fiscal, o bibliotecário deverá saber defendê-lo perante as instâncias decisórias, e respeitá-lo, uma vez aprovado. Com recursos cada vez mais escassos, é necessário por em prática os projetos da biblioteca mantendo ao mesmo tempo o orçamento sob controle (o que demanda, em muitos casos, grande criatividade).

28. Comunicação

Resumidamente, comunicação é a forma como intercambiamos informações, seja entre indivíduos ou grupos de indivíduos. Uma comunicação bem sucedida se dá quando o emissor e o receptor entendem a informação da mesma forma. Trata-se de um processo de mão dupla, que perpassa boa parte das habilidades aqui elencadas.

29. Oratória

Trata-se de falar e apresentar ideias em público, de forma estruturada, com o objetivo deliberado de informar, influenciar e/ou entreter a audiência. É fundamental para apresentar e divulgar as iniciativas dos serviços da biblioteca, tanto para o público interno da instituição/empresa, quanto para os usuários externos. Ademais, quando aplicável, é instrumento poderoso para conseguir a mobilização de recursos para a biblioteca.

30. Gestão de projetos

Um projeto pode ser definido como um esforço com escopo de tempo definido que leve à consecução de objetivos e metas determinados. A gestão de projetos é a capacidade de administrar as diversas etapas desse esforço, do planejamento, à organização, obtenção de recursos, definição e monitoramento de orçamento, etapas, cronogramas e padrões de qualidade.

 Daniel Guilarducci

Sobre o autor: Daniel Guillarducci é bibliotecário por formação, diplomata por profissão e escritor por vocação. Atualmente é Assessor da Divisão de Operações de Difusão Cultural do Itamaraty.