Especial

As Bibliotecas Públicas do Distrito Federal

por Marília Augusta de Freitas, Patrícia Nunes e Raphael Cavalcante, com a colaboração de Wander Pavão

 

O Sistema de Bibliotecas Públicas do Distrito Federal foi criado em 1996, com o propósito de fortalecer e coordenar a integração entre as bibliotecas públicas do DF. Atualmente, o Sistema conta com uma rede de 26 bibliotecas distribuídas nas 31 Regiões Administrativas do DF. De acordo com estatísticas da Diretoria do Sistema, em 2014, cerca de 300.000 pessoas passaram por uma das 26 bibliotecas integrantes da Rede de Bibliotecas Públicas.

A Diretoria do Sistema de Bibliotecas Públicas do DF atua junto ao Sistema Nacional como representante da unidade federativa. Também está vinculada à Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal (SeCult), sendo responsável pelo suporte técnico e operacional às bibliotecas públicas.

Todo o Sistema conta com um acervo formado por mais de 500 mil exemplares. A Biblioteca Pública da Ceilândia possui o maior acervo concentrado, composto por aproximadamente 90.000 exemplares. As bibliotecas de Taguatinga, 512 Sul, Sobradinho e Gama vêm em seguida no ranking.

O Sistema abriga pelo menos uma biblioteca especial, a biblioteca Braille “Dorina Nowill”, cujo acervo é formado por livros em Braille e audiolivros disponibilizados a usuários deficientes visuais. O acervo chega a 3.000 publicações. A biblioteca ainda promove cursos de alfabetização Braille, oficinas pedagógicas e culturais, além de jornadas literárias.

Estas bibliotecas não existem no organograma da SeCult ou no de qualquer outro órgão do Governo do Distrito Federal. A maioria não possui sequer um profissional bibliotecário responsável pela coordenação dos serviços. Diante de tais questões, a Diretoria de Bibliotecas tem procurado conscientizar o Governo Distrital da necessidade de regulamentar o funcionamento das bibliotecas e assim melhorar a prestação de serviços.

O fato das bibliotecas públicas existirem de maneira quase informal dificulta sobremaneira o trabalho da Diretoria de Bibliotecas, que fica impedida de fornecer material de consumo, ou recursos humanos. Tudo o que as bibliotecas necessitam em relação a essas demandas é fornecido pelas Administrações Regionais, que, não raramente, negligencia o provimento de recursos necessários ao funciomento pleno dos centros de informação. Aliás, parte considerável dos 500.000 itens que compõe o acervo da Rede é oriunda de doações. 

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Segundo Graça Pimentel, diretora do Sistema de Bibliotecas Públicas do DF, a realidade descrita não representa apenas o Distrito Federal: “Os outros estados também sofrem com orçamentos apertados, o que diminui a capacidade de qualquer gestor público de avançar em outras direções”. A Diretoria do Sistema de Bibliotecas Públicas do DF tem trabalhado de início no resgate da credibilidade dos usuários para com as unidades de informação, a partir da discussão dos problemas enfrentados e da promoção de parcerias com instituições governamentais e sociedade civil, com o objetivo de angariar recursos necessários para a revitalização dos espaços.

Acervos

O acervo das Bibliotecas Públicas do DF é majoritariamente constituído por doações de instituições parceiras e da comunidade. “Estamos buscando uma forma de garantir um valor maior para aquisição de acervo e nos empenhando para evitar que os recursos sejam contingenciados. Essas aquisições são para suprir as necessidades das Bibliotecas Públicas e também para atender a demanda do Programa Domiciliar Mala do Livro. Estamos também conversando com os Administradores Regionais para que destinem em seu orçamento um recurso próprio para a modernização e manutenção das suas Bibliotecas”, afirma a diretora.

Serviços e programas relacionados às bibliotecas

O Programa Mala do Livro merece destaque, por ser um projeto de incentivo à leitura, cujo objetivo é implantar bibliotecas domiciliares no Distrito Federal. Segundo a Diretoria da Mala do Livro, o programa conta hoje com trezentas caixas estantes, instaladas em residências domiciliares espalhadas por todas as regiões do DF e cidades do Entorno, áreas rurais e instituições governamentais.

Por outro lado, programas como “Brinquedotecas Públicas” - ambientes próximos às Bibliotecas, que ofereciam atividades pedagógicas elaboradas para o público infantil - e o projeto “Oficinas Culturais”, que tinha como objetivo dinamizar e fortalecer as ações das Bibliotecas através da oferta de atividades culturais, foram desativados.

Concurso Público

Em 2014, a Secretaria de Cultura realizou concurso com o objetivo de sanar a falta de bibliotecários na administração das bibliotecas públicas do DF. Foram 8 vagas para bibliotecários, número notadamente inferior à necessidade de suprir a rede de bibliotecas.

O resultado do concurso foi homologado em 8 de dezembro de 2014. No entanto, quase seis meses após a homologação, os profissionais aprovados ainda não foram nomeados.

Ainda de acordo com Graça Pimentel, uma das metas da Diretoria de Bibliotecas é a realização de um novo certame com vagas destinadas para cada Região Administrativa que possua uma biblioteca pública. A diretora afirma que “hoje há necessidade de contratação de novos profissionais para suprir carências oriundas de aposentadorias, bem como para atuar nas Bibliotecas Públicas das Regiões Administrativas desprovidas desses profissionais. Já fizemos a nossa demanda em relação a este assunto de forma Institucional ao gestor maior desta pasta e também solicitamos aos Administradores Regionais que façam a solicitação desses profissionais junto ao Governo do Distrito Federal”. 

Usuários com Deficiência

Com relação aos usuários com deficiências, Graça Pimentel, que é especialista em inclusão digital para deficientes visuais, diz que essa demanda foi resolvida na maioria das bibliotecas públicas do DF. “Ao fazer as visitas mensais, os itens observados que possam comprometer a acessibilidade não só dessa clientela, mas dos demais usuários, são anotados e demandados para as providencias cabíveis às Administrações Regionais. Cabe lembrar que a gestão dessas Bibliotecas se dá de forma compartilhada. É de competência das Administrações Regionais oferecer todas as condições de funcionamento e infraestrutura desses espaços no que se refere à manutenção e segurança da edificação”, afirma Graça. A diretora também acrescenta que "a Diretoria de Sistema de Bibliotecas Públicas é responsável apenas pelo suporte técnico e operacional dessas unidades. Esse trabalho é feito por meio de visitas itinerantes e por profissionais habilitados”.

Ações Futuras

Recentemente, a Diretoria do Sistema de Bibliotecas Públicas concluiu a visitação técnica às 26 bibliotecas públicas do Distrito Federal, que teve como finalidade realizar um diagnóstico da realidade das unidades de informação. A partir dos resultados será desenvolvido um plano estratégico de trabalho a ser cumprido em etapas de pequeno, médio e longo prazos. São ações que visam melhorar as condições atuais de atendimento aos frequentadores destes espaços de leitura, estudo e lazer.

De acordo com a Diretoria, na primeira semana de junho de 2015, será inaugurada uma Biblioteca Pública no Vicente Pires e outra unidade, nos próximos dois meses, na Cidade Estrutural. A intenção é que a Rede se torne integrada tecnologicamente, de forma que determinado livro possa ser emprestado em uma biblioteca e devolvido em outra.

A Diretoria do Sistema de Bibliotecas Públicas tem estabelecido contatos com gestores de sistemas de bibliotecas públicas de outros estados do Brasil. De acordo com Graça Pimentel, “são momentos fundamentais para uma maior interação com os parceiros de outros estados. Ontem mesmo recebi uma contribuição dos Gestores do Sistema de Bibliotecas Públicas do Mato Grosso no que se refere a estudo de usuários. Queremos fazer uma nova pesquisa no Distrito Federal para levantar o perfil dos nossos usuários”.

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Mídia

Mapa da Bibliotecas Públicas do Distrito Federal